O IMPERATIVO HEDÔNICO
por David Pearce Hedweb
SUMÁRIO
Esta proclamação esboça uma estratégia global para a liberação do sofrimento em toda vida sensível. O projeto abolicionista é ambicioso, implausível, mas tecnicamente possível. E é defendido aqui com razões éticas utilitárias. A nanotecnologia e a engenharia genética permitem ao homo sapiens se livrar da herança lógica e informática de nosso passado evolucionário. Os pós-humanos reescreverão o genoma dos vertebrados, redesenharão o ecossistema global e abolirão completamente o sofrimento do mundo vivo.
As vias metabólicas de dor e moléstia evoluíram apenas porque serviram à conveniência inclusiva de nossos genes no meio-ambiente ancestral. Estes podem ser substituídos por um tipo radicalmente diferente de arquitetura neural. A felicidade de longa-vida com intensidade atualmente inimaginável, em termos psicológicos, provavelmente se tornará a regra de saúde mental geneticamente pré-programada. Aqui é apresentado um esboço de quando e por que esta transição notável na evolução da vida na Terra é suscetível de ocorrer. Possíveis objeções, ambas práticas e morais, são levantadas e então contraditas.
As atuais imagens de viciados em opiáceos e o frenesi impulsivo da injeção de estimulantes intracranianos são decepcionantes. Tais estereótipos estigmatizam e injustamente desconsideram a única solução biologicamente real para os horrores do mundo e as inquietações diárias. Visto que é enganoso comparar o desenvolvimento sócio-intelectual com a felicidade perpétua. Não é preciso haver tal ambigüidade. Estados eufóricos de dopamina podem na verdade realçar a atividade exploratória e objetiva; estados hiperdopaminérgicos podem aumentar também a série e a diversidade de ações que um organismo considera benéficas. Por esta razão, os nossos descendentes poderão viver em uma civilização de gênios bem-motivados, animados por doses de plenitude. A sua produtividade pode superar em demasia a de nossa civilização.
Há duzentos anos atrás, antes do desenvolvimento de potentes analgésicos sintéticos e anestésicos cirúrgicos, a noção de que a dor física poderia ser extinta das vidas de muitas pessoas teria parecido não menos bizarra. A maioria de nós, no ocidente urbano-industrial, acredita que esta ausência diária é verdadeira. O prospecto de que o que nós descrevemos como “dor mental”, também, poderia algum dia ser anulado é igualmente contra-intuitivo. A alternativa técnica desta abolição faz de sua retenção deliberada um problema de orientação política e opção ética.







